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Backrooms e Obsession: o fim de semana que os YouTubers dominaram o cinema
Os dois maiores filmes de horror do fim de semana de 30/mai foram dirigidos por ex-YouTubers. Conheça Backrooms (A24, 90% RT) e Obsession (96% RT), o fenômeno de 2026.

Backrooms e Obsession: o fim de semana em que ex-YouTubers dominaram o cinema
Em 30 de maio de 2026, os dois filmes mais comentados nas salas de cinema do mundo não foram feitos por veteranos de Hollywood. Foram feitos por dois caras que começaram postando vídeo na internet. Esse não é um detalhe curioso de rodapé — é o sinal mais claro de que algo estrutural mudou no setor audiovisual.
Resposta rápida
Backrooms (nos cinemas, 2026):
- Classificação indicativa: 16 anos (R nos EUA — violência e linguagem)
- Duração: 1h45
- Onde assistir: Nos cinemas (estreou em 29 de maio de 2026)
- Vale a pena? Sim — se você curte horror atmosférico e lento. Um debut de cinema raríssimo para um diretor de 20 anos.
Obsession (nos cinemas, 2026):
- Classificação indicativa: 16 anos (R nos EUA — violência intensa)
- Duração: Em cartaz
- Onde assistir: Nos cinemas (estreou nos EUA em 15 de maio de 2026)
- Vale a pena? Absolutamente — um dos filmes mais bem avaliados de 2026, em qualquer gênero.
O número um: Backrooms, de Kane Parsons (A24)
O primeiro lugar no box office do fim de semana é Backrooms, a expansão cinematográfica da série de vídeos do YouTube de Kane Parsons — found footage de um espaço de escritório misterioso que desafia a física, nascido de uma thread do 4chan.
Dirigido pelo próprio Parsons, o filme faturou US$ 38 milhões só na sexta-feira, com expectativa de chegar entre US$ 80 e US$ 90 milhões no acumulado doméstico do fim de semana. Para a A24, é a maior abertura da história do estúdio — o recorde anterior era de Civil War, que fez US$ 25,7 milhões em seu primeiro fim de semana.
Quem é Kane Parsons?
Kane Parsons criou a série original "Backrooms: Found Footage" aos 16 anos, construindo uma audiência viral no YouTube por meio do conceito de explorar corredores perturbadores e infinitos — os chamados "espaços liminais". Quando as filmagens foram concluídas, Parsons tinha 19 anos, tornando-se oficialmente o diretor mais jovem da história da A24. Hoje com 20 anos, ele estreia um lançamento de grande estúdio.
O filme é uma produção conjunta entre A24, Chernin Entertainment, Atomic Monster e 21 Laps Entertainment, com James Wan, Shawn Levy e Osgood Perkins como produtores.
O filme: corredores amarelos e horror psicológico
A história segue uma terapeuta (Renate Reinsve) que entra numa dimensão estranha e sobrenatural enquanto procura um paciente desaparecido (Chiwetel Ejiofor). Parsons aposta no "horror liminal", focado em espaços perturbadores e mal-estar psicológico.
O elenco ainda conta com Finn Bennett e Lukita Maxwell, com roteiro escrito por Will Soodik.
A aposta é clara: nada de sustos fáceis, nada de gore gratuito. O horror aqui vem da desorientação espacial, de corredores que não terminam, de uma lógica que escapa à razão humana.
O que a crítica diz
No Rotten Tomatoes, 90% das 172 críticas são positivas, com média de 7,5/10. O consenso do site descreve o filme como "um debut de estreia assombrosamente seguro do diretor Kane Parsons, que dobra os espaços liminais que assombraram a internet por anos em um filme de horror tão hipnótico quanto aterrorizante."
Peter Bradshaw, do The Guardian, destacou a atmosfera opressiva do filme, o design de produção marcante e os visuais perturbadores iluminados a amarelo, comparando seus temas e estilo ao horror japonês, a Severance e a The Rehearsal.
Dan Bayer, do Next Best Picture, disse que Parsons chegou "como um cineasta completamente formado", com controle excepcional sobre imagem, ritmo e suspense.
Há ressalvas legítimas: parte do público sentiu que a narrativa perde coesão no terceiro ato — um problema clássico de estreias de diretores com visão estética forte mas roteiro ainda em desenvolvimento. O estilo slow-burn e não convencional pode dividir quem espera um horror mais gráfico, mas sua premissa única e suas origens virais geram interesse e discussão intensa.
O número dois: Obsession, de Curry Barker
Enquanto Backrooms estreava, Obsession — que chegou às telas americanas em 15 de maio — continuava crescendo de forma improvável.
Obsession alcançou algo extraordinariamente raro: fez mais dinheiro em seu segundo fim de semana do que na estreia. O filme abriu com aproximadamente US$ 17 milhões no doméstico e subiu para US$ 23,9 milhões no fim de semana do Memorial Day — um aumento de 39,4%.
O filme já arrecadou US$ 100,6 milhões em todo o mundo. Com orçamento de US$ 1 milhão.
Quem é Curry Barker?
Antes de mergulhar no horror com a sensação do YouTube Milk & Serial, o cineasta de 26 anos Curry Barker era metade de uma dupla de esquete cômica chamada "That's a Bad Idea". Com Obsession, ele continua uma tendência crescente de comediantes que estreiam no horror, seguindo os passos de Jordan Peele, Zach Cregger e os irmãos Philippou.
O caminho de Barker para as telas grandes não foi pelos corredores de uma escola de cinema. Em 2023, ele escreveu e dirigiu o curta de horror The Chair e o enviou ao YouTube. O produtor James Harris entrou em contato para adaptar o curta, e Barker aproveitou para emplacar Obsession no lugar.
O filme: o desejo errado e suas consequências horríveis
O filme segue Bear (Michael Johnston), um tímido funcionário de loja de música que compra um brinquedo sobrenatural que realiza seu desejo de que a amiga Nikki (Inde Navarrette) se apaixone por ele — com consequências horríveis.
O segundo longa do ex-YouTuber destila o ressentimento de gênero da cultura de internet dos anos 2020 em um filme de horror que poderia ser descrito como um conto moral de estilo pulp dos quadrinhos EC Comics.
O que a crítica diz
No Rotten Tomatoes, 96% das 237 críticas de profissionais são positivas, com média de 8/10. O consenso do site define o filme como: "pegando um conceito nojento e torcendo-o para fins perversamente satisfatórios, Obsession é assustadoramente perturbador ao mesmo tempo que é habilmente divertido e emocionante."
A IGN deu nota 8/10, afirmando que o filme "joga com os tropos familiares de romance e pata de macaco, virando o desejo contra o desejante, mas a execução de Barker eleva tudo a outro nível."
Após o sucesso crítico e financeiro, Curry Barker confirmou sua intenção de desenvolver uma sequência. Ele também foi contratado para escrever e dirigir um novo filme de Texas Chainsaw Massacre para a A24.
O que está acontecendo com o horror de 2026?
Este não é um fenômeno isolado. Os três maiores lançamentos de horror com conexão ao YouTube em 2026 foram todos dirigidos por cineastas que começaram na plataforma. O primeiro foi Iron Lung, de Markiplier, que arrecadou US$ 18 milhões no debut doméstico e mais de US$ 50 milhões em todo o mundo.
O padrão é consistente: criadores com audiências fiéis, que já entendem o que assusta sua geração, chegando ao cinema com orçamentos baixos e eficiência técnica surpreendente. A juventude e a credibilidade na internet conectam esses realizadores às audiências de Gen-Z e millennials que cresceram consumindo o conteúdo original nas plataformas.
Em Obsession, Barker demonstra pouco interesse em sustos tradicionais de casa assombrada, cortando o filme em um ritmo assimétrico que desestabiliza por si só. Isso é subproduto de seu histórico no YouTube — assim como o diretor de Backrooms, Kane Parsons, Barker edita seus próprios filmes.
É essa marca autoral — a capacidade de controlar o ritmo, a montagem e o som de forma integrada — que diferencia esses cineastas de diretores de aluguel. Eles não chegaram ao cinema para executar a visão de outra pessoa. Chegaram com a deles.
Backrooms, assim como Obsession semanas antes, prova que um garoto do YouTube pode entrar no multiplex e pensar com mais clareza sobre a ansiedade exata que está consumindo sua geração do que quase qualquer um presente na sala.
O cinema de horror está vivo. E boa parte do crédito vai para a geração que cresceu postando vídeo de quinze minutos e aprendendo, frame a frame, o que realmente assusta as pessoas.
Perguntas frequentes
Onde assistir Backrooms e Obsession?
Ambos estão em cartaz nos cinemas. Backrooms estreou no Brasil em 29 de maio de 2026, distribuído pela A24. Obsession estreou nos EUA em 15 de maio de 2026, pela Focus Features — consulte a programação local para confirmar salas brasileiras.
Qual a nota de Backrooms no Rotten Tomatoes?
Backrooms tem 90% no Rotten Tomatoes, com base em 172 críticas, e média de 7,5/10 — tornando-se a maior abertura da história da A24.
Qual a nota de Obsession no Rotten Tomatoes?
Obsession tem 96% no Rotten Tomatoes, com 237 críticas e média de 8/10. É considerado um dos filmes mais bem avaliados de 2026 em qualquer gênero.
Quem é Kane Parsons, o diretor de Backrooms?
Kane Parsons é um cineasta de 20 anos que começou no YouTube com a série Backrooms: Found Footage, publicada em janeiro de 2022 quando ainda era adolescente. Com o longa da A24, torna-se o diretor mais jovem da história do estúdio.
Quem é Curry Barker, o diretor de Obsession?
Curry Barker é um cineasta de 26 anos, ex-metade da dupla cômica "That's a Bad Idea" no YouTube. Obsession é seu debut em longa-metragem de distribuição ampla, feito com apenas US$ 1 milhão de orçamento e já superou US$ 100 milhões em bilheteria mundial.
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