Michael: bilheteria histórica e a polêmica do Rei do Pop
A cinebiografia de Michael Jackson estreou com US$ 217 mi e se tornou o maior lançamento de um biopic musical da história. Vale o ingresso? Leia nossa análise.

Michael (2026): bilheteria faz moonwalk rumo ao recorde histórico
Uma cinebiografia sobre Michael Jackson sempre foi um projeto de alto risco. O Rei do Pop é ao mesmo tempo o artista mais amado e o nome mais controverso da história da música pop. Quando o filme Michael chegou aos cinemas em abril de 2026, a pergunta era inevitável: conseguiria equilibrar a magia e a sombra que cercam esse legado? A bilheteria respondeu com estrondos. A crítica, nem tanto.
Ficha técnica e elenco: quem está por trás do projeto
Michael é uma cinebiografia musical estadunidense de 2026, dirigida por Antoine Fuqua e escrita por John Logan. Produzido por meio de uma colaboração entre Lionsgate e GK Films, o roteiro é assinado por John Logan, indicado ao Oscar por seus trabalhos em Gladiador (2000), O Aviador (2004) e A Invenção de Hugo Cabret (2011).
A escolha mais audaciosa — e mais comentada — foi a do protagonista. Michael Jackson é interpretado por seu sobrinho na vida real, Jaafar Jackson, em sua estreia no cinema. É uma aposta de altíssimo risco que, dependendo do ponto de vista, pode ser a decisão mais genial ou mais conveniente do projeto.
Ao lado de Jaafar, o elenco inclui Nia Long (Katherine Jackson), Kat Graham (Diana Ross), Jessica Sula (La Toya Jackson), Laura Harrier (Suzanne de Passe), Liv Symone (Gladys Knight), Kendrick Sampson (Quincy Jones), Miles Teller (John Branca) e Colman Domingo (Joe Jackson).
O que o filme conta — sem spoilers
O filme acompanha a vida do cantor desde sua participação no The Jackson 5 na década de 1960 até a turnê Bad Tour no final da década de 1980. Isso já diz muito sobre o que não está na tela: toda a segunda metade da vida de Michael — as acusações, as transformações físicas, os escândalos, a morte em 2009 — ficou de fora.
Inicialmente, o roteiro incluía a dramatização de uma acusação de abuso sexual contra Jackson em 1993. As cenas foram removidas após produtores identificarem uma cláusula que impedia a representação do caso. Por isso, o filme termina durante a turnê "Bad", em 1988.
Essa escolha narrativa é exatamente onde a crítica e o público divergem de forma ruidosa.
Análise técnica: direção, fotografia e trilha
Antoine Fuqua é um diretor competente. Ele sabe conduzir ritmo, tem senso de espetáculo e não economiza nos números musicais. A fotografia de Dion Beebe captura o brilho e o movimento dos palcos com competência técnica inegável. Nos momentos de performance, o filme quase justifica qualquer ingresso premium.
O produtor Graham King confirmou no CinemaCon que o longa tem mais de 2h30 de duração e inclui mais de 30 músicas do catálogo de Michael Jackson. Essa abundância musical é faca de dois gumes: os fãs se deleitam com cada hit, mas o filme perde profundidade cada vez que troca desenvolvimento de personagem por mais um número de dança.
O filme também se destacou nas salas premium: cerca de 40% da arrecadação veio de telas IMAX e formatos de grande escala. Apenas o IMAX respondeu por US$ 13,8 milhões na América do Norte e US$ 24,5 milhões globalmente. Isso confirma que o espetáculo visual funciona — e que o público quis a experiência cinematográfica completa.
O roteiro de John Logan, porém, sofre com uma estrutura episódica que salta de um capítulo para outro sem muito aprofundamento. Os bastidores de criação de Thriller, Off the Wall e Bad aparecem em cenas rápidas e competentes, mas que raramente chegam a nos fazer sentir o que impulsionava aquela genialidade.
Jaafar Jackson: a razão de ver o filme
Se há algo que justifica duas horas e meia de sala escura, é a atuação de Jaafar Jackson. Grande parte do crédito pelo sucesso de Michael vai para seu sobrinho Jaafar Jackson, que aceitou o desafio de interpretar o Rei do Pop. Embora a repercussão crítica da película tenha sido mista a negativa, muitos revisores apontaram a atuação dele como um ponto alto.
Jaafar não é Michael Jackson — nenhum ator poderia ser. Mas ele encontra algo genuíno no papel: uma vulnerabilidade tímida nos momentos íntimos e uma presença arrebatadora quando o palco chama. Impulsionado por atuações estelares, especialmente a estreia revelação de Jaafar Jackson, Michael lidera as paradas e tem fãs fazendo moonwalk ao redor do mundo.
Colman Domingo entrega profundidade e nuance a um filme que talvez não tivesse nenhuma sem ele, com uma atuação de couro duro que se encaixa bem com a performance delicada de Nia Long como a matriarca Katherine Jackson.
O elefante na sala: o que o filme evita contar
Michael recebeu avaliações geralmente negativas; os críticos elogiaram a atuação de Jaafar Jackson, mas criticaram a história como "higienizada". Essa palavra — higienizada — resume o desconforto de quem esperava algo além do álbum de sucessos oficial.
No site agregador de críticas Rotten Tomatoes, 39% das 283 críticas são positivas, ao contrário de 97% do público que avaliou positivamente o filme. Essa diferença de 58 pontos percentuais é um dos maiores abismos já registrados na plataforma para um grande lançamento — e diz tudo sobre a natureza do projeto.
O público quer celebrar. A crítica queria entender. O filme escolhou a celebração. É uma escolha legítima, mas não isenta de consequências artísticas.
Bilheteria: o moonwalk rumo ao recorde absoluto
Os números são impressionantes por qualquer métrica.
O filme arrecadou US$ 97 milhões nos Estados Unidos e US$ 217 milhões no mundo em seu primeiro fim de semana, estabelecendo o maior lançamento da história para uma biografia. Dirigido por Antoine Fuqua e produzido pela Lionsgate, o longa superou com folga as expectativas iniciais, que apontavam para uma estreia nos EUA entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões.
Ainda mais notável é que também é a maior abertura já registrada para um biopic musical, superando filmes como Bohemian Rhapsody (sobre Freddie Mercury), Rocketman (Elton John), A Complete Unknown (Bob Dylan) e Straight Outta Compton (NWA).
Semanas depois, a trajetória continuou surpreendente. Segundo dados divulgados pela Lionsgate, o filme encerrou seu terceiro fim de semana com cerca de US$ 238,9 milhões arrecadados nos Estados Unidos e mais US$ 331,1 milhões internacionalmente. Com isso, Michael entrou oficialmente para a história como a maior cinebiografia musical de todos os tempos na América do Norte, superando os US$ 216,7 milhões de Bohemian Rhapsody no mercado doméstico americano.
Segundo o Box Office Mojo, o filme arrecadou mais de US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,5 bilhões) em menos de um mês após o lançamento mundial. No ranking global de 2026, Michael perde apenas para a animação Mario Galaxy: o Filme, a sequência da adaptação dos videogames da Nintendo, que já acumulou quase US$ 1 bilhão.
O Brasil aparece entre os destaques globais, com o maior primeiro dia já registrado para uma produção hollywoodiana do gênero, superando a bilheteria tanto de Bohemian Rhapsody quanto de Oppenheimer.
Sequência confirmada
O sucesso comercial já garantiu o próximo capítulo. Em abril de 2026, o presidente da Lionsgate anunciou que a sequência recebeu sinal verde. Fuqua afirmou que foram filmadas cenas suficientes para sustentar uma continuação que cubra a fase final da vida de Jackson.
Embora a sequência não tenha um roteiro final, algumas cenas que abordam as alegações de abuso sexual de 1993 contra Jackson já foram gravadas. Elas deveriam ter aparecido em Michael, mas tiveram que ser cortadas devido aos termos do acordo do cantor com a suposta vítima, que proíbem que ele seja retratado ou mencionado na tela. A Parte 2, portanto, promete ir aonde a Parte 1 preferiu não entrar.
Veredicto: vale o ingresso?
Michael é um espetáculo competente que funciona melhor como concerto cinematográfico do que como retrato biográfico. Jaafar Jackson entrega uma performance que transcende qualquer debate sobre conflito de interesses familiar. Antoine Fuqua dirige com estilo e segurança. A trilha é, obviamente, irresistível.
O problema é que o filme ama demais seu personagem para questioná-lo. E grandes cinebiografias — as que ficam na memória — precisam do desconforto de olhar para a pessoa inteira, não apenas para o ícone.
Se você quer duas horas e meia de nostalgia pop com imagens bonitas e hits que você conhece de cor, Michael entrega com generosidade. Se você quer entender o que formou — e deformou — um dos maiores artistas do século XX, vai precisar procurar em outro lugar.
Nota: 6/10
Perguntas frequentes (FAQ)
Michael (2026) vale a pena assistir?
Para fãs de Michael Jackson, sim, sem dúvida — especialmente em IMAX ou salas premium. A atuação de Jaafar Jackson e os números musicais são genuinamente impressionantes. Quem espera uma análise crítica aprofundada da vida do cantor pode sair frustrado com o tom celebratório.
Onde assistir o filme Michael (2026)?
O filme ainda está em cartaz nos cinemas brasileiros. Uma data de estreia em plataformas de streaming ainda não foi confirmada oficialmente.
Haverá sequência de Michael (2026)?
Sim. A Lionsgate confirmou Michael: Part 2 ainda em abril de 2026, com o diretor Antoine Fuqua afirmando que cenas suficientes já foram gravadas para cobrir a fase final da vida de Michael Jackson — incluindo os períodos mais polêmicos que o primeiro filme deixou de fora.
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