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Musk (2026): review do documentário que Elon não queria que você visse

Documentário de Alex Gibney sobre Elon Musk tem quase 4 horas, ovação em Veneza e 100% no Rotten Tomatoes. Vale a pena? Leia a análise completa.

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Daniel Krust
··6 min de leitura
Cena dramática de documentário: homem em sala de reuniões iluminada por telas, estilo do documentário Musk de Alex Gibney (2026)

Musk (2026): o documentário que Elon não queria que você visse

Quase quatro horas de duração. Uma ovação de cinco minutos em Veneza. Ameaças de processo antes mesmo da estreia. E um avatar digital no lugar do protagonista, que se recusou a participar. O documentário Musk, dirigido por Alex Gibney, já nasceu como evento — e entrega muito mais do que polêmica.

Resposta rápida

Musk (Max/HBO, 2026):

  • Classificação indicativa: 18 anos (classificação R nos EUA — conteúdo adulto, político e sensível)
  • Duração: 3h45min (225 min; 235 min com intervalo nas sessões de cinema)
  • Onde assistir: Cinemas nos EUA a partir de 9 de outubro de 2026; Max/HBO após janela teatral. No Brasil, sem data confirmada de lançamento.
  • Vale a pena? Sim — é uma das produções documentais mais completas e corajosas do ano, mesmo que o ponto de vista seja assumidamente crítico.

O que é o documentário Musk?

O filme é uma produção de quase quatro horas que propõe ir além da imagem pública do bilionário para investigar o homem por trás de algumas das empresas mais relevantes do setor de tecnologia. Dirigido pelo premiado documentarista Alex Gibney, Musk estreou no Festival de Cinema de Veneza e será posteriormente dividido em dois episódios de duas horas para exibição pela HBO.

O filme revisita diferentes fases da vida e da carreira do empresário, incluindo sua atuação na Tesla, SpaceX, X e no governo dos Estados Unidos.

Alex Gibney dividiu o filme em duas metades: a primeira cobre Tesla e SpaceX; a segunda trata da compra do Twitter (hoje X) e da aproximação com Donald Trump, incluindo a passagem de Musk pelo DOGE, o departamento de corte de gastos do governo americano.

Estreia e circuito de festivais

O filme teve sua estreia mundial fora de competição no 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza, em 8 de setembro de 2026. Na ocasião, recebeu uma ovação de cinco minutos e críticas majoritariamente positivas.

Após Veneza, Musk seguiu para o Festival Internacional de Cinema de Toronto. A distribuidora americana Bleecker Street antecipou a estreia de 16 para 9 de outubro, citando o interesse do público — a abertura vale para salas de Nova York e Los Angeles, e o restante dos EUA recebe o filme em 16 de outubro.

Quem está por trás das câmeras — e quem aparece na tela

Alex Gibney é vencedor do Oscar por Um Táxi para a Escuridão, e carrega um histórico de retratos impiedosos do poder corporativo e político. Gibney já havia retratado figuras como Elizabeth Holmes e Steve Jobs.

A equipe de produção inclui um nome que chama atenção: entre os produtores está Ronan Farrow, jornalista investigativo conhecido por expor casos de abuso de poder em Hollywood e na mídia.

O filme conta com entrevistas de Justine Musk, primeira esposa do bilionário; Ashley St. Clair, mãe de um de seus filhos; e o pai de Musk, Errol, além de muitos que trabalharam de perto com o empresário. O elenco de entrevistados inclui ainda Kara Swisher, Martin Eberhard e Geoffrey Hinton.

O avatar digital: a solução inusitada para a ausência de Musk

Para contornar a recusa do bilionário em participar, a equipe criou um avatar digital de Musk que reproduz declarações reais feitas pelo empresário em entrevistas, podcasts e outras aparições públicas. A escolha também dialoga com o interesse do empresário por inteligência artificial e pela hipótese de vivermos em uma simulação.

É um recurso que divide opiniões — parte da crítica viu como uma solução criativa e irônica; outra parte questionou se a técnica não contradiz a própria tese do filme sobre os perigos da IA. De qualquer forma, é um dos elementos mais comentados da produção.

O que o documentário revela

A segunda metade do documentário é onde a coisa esquenta: a compra do Twitter (hoje X), a aproximação com Donald Trump e a passagem pelo DOGE ganham tratamento detalhado.

O cofundador da Tesla, Martin Eberhard, afirma no filme que foi o cérebro por trás dos veículos da empresa, mas que Musk teria engenheirado uma forma de empurrá-lo para fora do cargo de CEO e tomar o crédito para si. Gibney também argumenta que o histórico de Musk em fazer grandes promessas sobre seus produtos antes de a tecnologia poder cumpri-las custou vidas.

O documentário inclui uma mensagem de texto de Musk para Ashley St. Clair mencionando "10 mil lasers no espaço" antes das eleições de 2024. Gibney afirma que o filme levanta questões sobre os dados a que Musk teve acesso por meio do DOGE.

A reação de Elon Musk

A resposta do bilionário ao documentário foi à altura de sua personalidade pública. Musk chamou o documentarista de "crackpot", "douchebag do núcleo" e "idiota" em postagens no X.

O advogado de Musk ameaçou Gibney com um processo por difamação, e o diretor comparou a reação à da Igreja da Cientologia, que também o processou por um documentário anterior.

A polêmica foi além do bilionário. YouTube, Meta e TikTok inicialmente recusaram veicular o trailer do filme, citando "conteúdo político". A Universal Pictures, que detém os direitos de distribuição mundial, também atrasou o lançamento antes de anunciar que apoia o documentário.

O que a crítica está dizendo

Na estreia em Veneza, Musk registrou 100% no Rotten Tomatoes e 77 pontos no Metacritic. Atualmente conta com 25 avaliações de críticos no Tomatômetro.

Entre os destaques: Mike McGranaghan, do Aisle Seat, descreveu o filme como "meticulosamente pesquisado e continuamente envolvente". Já a Slant Magazine foi mais comedida — com 2,5 de 4 estrelas, o crítico Kenji Fujishima avaliou que Musk funciona melhor como "crônica exaustiva de como o homem mais rico do mundo passou de um dos mais respeitados a um dos mais perigosos".

Onde e quando assistir no Brasil

HBO e HBO Max exibem o documentário nos EUA no primeiro trimestre de 2027, segundo a Variety, e essa versão terá quatro horas.

A Universal Pictures cuida do lançamento fora dos EUA, mas no Brasil não há data anunciada — nem nos cinemas nem na HBO Max.

Vale acompanhar os canais oficiais da Max Brasil para informação sobre data de estreia por aqui.

Veredicto: nota 8/10

Musk é um documentário que faz exatamente o que se propõe: entregar um retrato minucioso, crítico e, por vezes, perturbador de uma das figuras mais influentes e controversas do nosso tempo. Alex Gibney não tenta fingir neutralidade — o ponto de vista é claro desde os primeiros minutos. Mas o material é sólido, as fontes são relevantes, e a pesquisa é inegavelmente séria.

A duração assusta, mas raramente a atenção se perde. O recurso do avatar digital pode incomodar alguns, mas funciona como provocação intencional. Para quem quer entender como um homem construiu um império tecnológico e depois mergulhou de cabeça na política, Musk é leitura obrigatória em forma de tela.


Perguntas frequentes

Qual a classificação indicativa do documentário Musk?

O documentário recebeu classificação R nos EUA, equivalente a 18 anos no Brasil. O conteúdo inclui linguagem forte, temas políticos sensíveis e material de natureza adulta.

Quanto tempo dura o documentário Musk?

A versão para cinemas tem 225 minutos (cerca de 3h45min), ou 235 minutos com o intervalo. A versão para HBO será dividida em dois episódios de aproximadamente duas horas cada.

Onde assistir o documentário Musk no Brasil?

Até a data desta publicação, não há data confirmada de lançamento no Brasil — nem nos cinemas nem na plataforma Max. A distribuição internacional está a cargo da Universal Pictures, e o streaming na Max/HBO está previsto nos EUA para o primeiro trimestre de 2027.

Qual a nota do documentário Musk no Rotten Tomatoes?

Na estreia em Veneza, Musk registrou 100% no Rotten Tomatoes, com 77 pontos no Metacritic. Com o aumento do número de críticas após a estreia comercial, o Tomatômetro conta atualmente com 25 avaliações.

Elon Musk participou do documentário?

Não. Musk recusou o convite para participar. Para contornar a ausência, a equipe criou um avatar digital que reproduz falas reais do bilionário retiradas de entrevistas, podcasts e aparições públicas.

Tags:#Documentário#Elon Musk#Alex Gibney#HBO#Max#Lançamentos 2026#Crítica#Review

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