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Olhe Para Mim: review do filme alagoano no Olhar de Cinema
Estreia mundial no Festival Olhar de Cinema 2026, em Curitiba. Fantasia alegórica de 89 min que mergulha no imaginário do Rio São Francisco. Vale a pena conferir.

Olhe Para Mim: review do filme alagoano que estreia no mundo em Curitiba
Um road movie fantástico pelas margens do Rio São Francisco. Uma entidade que é metade mulher, metade pássaro. Um jovem que nunca soube por que a mãe desapareceu. É com esse universo denso e poético que Olhe Para Mim chega à sua estreia mundial — e já chama atenção como um dos filmes mais ousados do cinema brasileiro em 2026.
Resposta rápida
Olhe Para Mim (Brasil, 2026):
- Classificação indicativa: A confirmar — aguarde divulgação oficial
- Duração: 89 min
- Onde assistir: Estreia no 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba (sessões em 6 e 7 de junho de 2026); distribuição nacional pela Olhar Filmes
- Vale a pena? Sim — fantasia alegórica ambiciosa, com elenco sólido e uma proposta visual corajosa para uma produção de baixo orçamento
O festival: Olhar de Cinema 2026
Antes de falar do filme em si, é preciso entender o palco. A 15ª edição do Olhar de Cinema: Festival Internacional de Curitiba começou no dia 4 de junho, consolidada como um dos principais eventos dedicados à sétima arte no Brasil, reunindo mais de 70 filmes entre produções brasileiras e internacionais.
Com programação espalhada por diferentes pontos culturais da capital paranaense até o dia 13 de junho, o festival chegou cercado de expectativa e já registra sessões com ingressos esgotados. A programação ocupa espaços como o Museu Oscar Niemeyer, o Cine Passeio, a Cinemateca de Curitiba e o Teatro da Vila, com sessões competitivas, retrospectivas e mostras temáticas.
É dentro desse contexto que Olhe Para Mim faz sua estreia — dentro da Mostra Competitiva Brasileira de Longas-Metragens, competindo por prêmios de Melhor Filme, Direção, Roteiro e Atuação. As sessões do filme acontecem em 6 de junho, às 21h15, e em 7 de junho, às 13h45 e 20h15.
De onde vem Olhe Para Mim
O longa marca a estreia de Rafhael Barbosa na direção de ficção em longa-metragem e entra para a história como a primeira produção ficcional realizada em Alagoas por meio de edital público a alcançar o circuito nacional.
Rafhael Barbosa é roteirista, diretor e produtor alagoano. Cavalo, seu primeiro longa-metragem, estreou no circuito comercial em 2021. A fantasia alegórica Olhe Para Mim (2026) marca sua estreia na direção de longas de ficção.
O diretor não está sozinho nessa travessia. A La Ursa Cinematográfica, criada em 2015 pelos realizadores alagoanos Rafhael Barbosa e Felipe Guimarães, vem ampliando sua atuação nos últimos anos, desbravando caminhos junto com o movimento do cinema alagoano contemporâneo. A produtora também responde pela distribuição — o filme foi produzido pela La Ursa Cinematográfica e distribuído pela Olhar Filmes.
Em termos de financiamento, o projeto é um exemplo de como políticas públicas podem viabilizar cinema autoral fora do eixo Rio-São Paulo. "Olhe Para Mim" foi contemplado no IV Prêmio de Incentivo à Produção Audiovisual em Alagoas, edital realizado pela Secult/AL em parceria com o programa Arranjos Regionais, do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e da ANCINE. O projeto também conta com patrocínio da Lei Paulo Gustavo e do Magazine Luiza por meio da Lei do Audiovisual, além do apoio das prefeituras de Penedo, Pão de Açúcar e Belo Monte.
A história: entre o luto e o sobrenatural
Com Rejane Faria, Luciano Pedro Jr. e o estreante Ulisses Arthur no elenco principal, a produção é uma fantasia alegórica inspirada no imaginário popular que margeia o Rio São Francisco. No enredo, dez anos após o desaparecimento de sua mãe durante a grande festa religiosa da cidade, Marcelo ainda lida com as consequências de sua ausência.
Na véspera de mais uma festa, ele conhece dois misteriosos viajantes — Sandra e seu filho Ivan. A atriz Rejane Faria vive Sandra, uma feiticeira que viaja com o filho, guiada por sonhos e pelo canto de uma entidade metade mulher, metade ave. A história se desenrola como um road movie pelas margens do Rio São Francisco, explorando encontros, mistérios e travessias.
Para Barbosa, o filme aborda a dimensão simbólica da maternidade para filhos queer. "Nosso protagonista, Marcelo, nunca descobriu os motivos do desaparecimento de sua mãe quando criança. Ele cresceu preenchendo o vazio com memórias inventadas e projeções mágicas da realidade. No filme, a mãe é representada com muitas faces, entre elas a 'rasga-mortalha', uma entidade ancestral meio humana, meio pássaro, que busca as almas de seus filhos prometidos."
A narrativa bebe do imaginário do Nordeste com seriedade. Não é folclore de cartão-postal — é mitologia viva, usada para discutir ausência, identidade e pertencimento. Um gesto raro no cinema brasileiro contemporâneo.
Elenco: experiência e estreia lado a lado
A produção conta com Rejane Faria (Marte Um, Yellow Cake), Luciano Pedro Jr. (Carro Rei, Cangaço Novo) e o estreante Ulisses Arthur no elenco principal.
O elenco conta ainda com a atriz e performer Aura do Nascimento (Salomé), que interpreta três personagens no filme, Ivana Iza (Serial Kelly), Ane Oliva (O Agente Secreto), Flávio Rabelo (Cavalo), Eron Villar (Fim de Semana no Paraíso Selvagem), Nilton Resende (Deus Ainda é Brasileiro) e Lucas Carvalho (Psica, Cangaço Novo), além do estreante mirim Hugo Ramires.
A presença de Rejane Faria é particularmente significativa: ela chega ao Olhar de Cinema em um momento decisivo da carreira, protagonizando dois longas que ocupam posições estratégicas na programação de um dos festivais mais relevantes do país — estrelando tanto o filme de abertura quanto uma produção da Mostra Competitiva Brasileira.
Produção: ousadia com orçamento enxuto
Além de Penedo, o longa rodou algumas de suas cenas mais importantes nas cidades de Belo Monte e Pão de Açúcar, no sertão alagoano, e na capital Maceió.
A fotografia é assinada por Roberto Iuri, a direção de arte por Nina Magalhães — e a trilha sonora original fica a cargo de Luiz Martins e Luciano Txu. A montagem teve a participação do próprio Rafhael Barbosa, ao lado de Paulo Silver e Werner Salles.
Construir um universo fantástico implica um trabalho complexo de produção, direção de arte, caracterização, efeitos especiais, som, fotografia, iluminação e atuação — enfim, todos os departamentos. Encarar essa ousadia numa produção de baixo orçamento só foi possível graças a um desenho de equipe muito certeiro, que aliou o talento de alguns dos mais experientes profissionais do cinema alagoano com nomes que têm ajudado a construir a história do cinema nordestino e brasileiro contemporâneo.
Por que isso importa além do filme
A produção alagoana apresenta uma narrativa simbólica e sensorial, marcada por elementos fantásticos e uma forte dimensão poética. Mas o significado de Olhe Para Mim ultrapassa a obra em si.
É um filme que nasce a partir de políticas públicas culturais e que simboliza uma nova fase do audiovisual alagoano, com produções cada vez mais presentes nos principais espaços de circulação do país.
O Brasil tem uma tradição consolidada de cinema nordestino — de Bacurau a Cangaço Novo — mas Alagoas ainda era uma lacuna nesse mapa. Olhe Para Mim começa a preenchê-la com voz própria: sem imitar referências, sem esconder a origem. E faz isso justamente pelo caminho mais difícil: o da fantasia, que exige o dobro de recursos e o triplo de imaginação.
Ainda não há data de estreia comercial confirmada. O festival é o primeiro passo — e pelos relatos, um passo com o pé direito.
Perguntas frequentes
Quando e onde estreia "Olhe Para Mim"?
A estreia mundial acontece durante a 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, com sessões nos dias 6 de junho (21h15) e 7 de junho (13h45 e 20h15) de 2026. A distribuição nacional fica por conta da Olhar Filmes.
Quanto tempo dura o filme?
"Olhe Para Mim" tem duração de 89 minutos.
Quem dirige e quem está no elenco principal?
O filme é dirigido pelo alagoano Rafhael Barbosa. O elenco principal é formado por Rejane Faria, Luciano Pedro Jr. e o estreante Ulisses Arthur.
É baseado em fato real ou folclore?
A trama é ficção original, mas se inspira no imaginário popular e nas lendas da região do Rio São Francisco, em Alagoas — incluindo a figura da "rasga-mortalha", entidade ancestral que habita o universo do filme.
Qual a importância histórica do filme para o cinema alagoano?
"Olhe Para Mim" é a primeira ficção de longa-metragem realizada em Alagoas por meio de edital público a chegar ao circuito nacional, representando um marco para a produção audiovisual local.
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