Pipoca Crítica

Pipoca Crítica

🎁

15 dias grátis no streaming TopoMega · compartilhe e ganhe

Pegar agora →

Desejo Obsessivo: quando a obsessão falha em seduzir

Richard Armitage e Charlie Murphy protagonizam esse thriller erótico britânico da Netflix. Mas a série entrega mesmo o que promete? Leia nossa crítica honesta.

D
Daniel Krust
··5 min de leitura
Richard Armitage como William Farrow em cena dramática da minissérie Desejo Obsessivo, thriller erótico britânico da Netflix

Desejo Obsessivo: quando a obsessão falha em seduzir

Uma premissa potente, um elenco respeitável e uma herança literária de peso. No papel, Desejo Obsessivo (Obsession, no original britânico) tinha tudo para ser o thriller erótico do ano na Netflix. Na prática, a minissérie tropeça nos próprios pés — e faz isso em apenas quatro episódios.


O que é Desejo Obsessivo?

Desejo Obsessivo é uma minissérie britânica de thriller erótico co-escrita por Morgan Lloyd Malcolm e Benji Walters, baseada no romance Damage (em português, Perdas e Danos), publicado em 1991 pela autora irlandesa Josephine Hart. A série estreou na Netflix em 13 de abril de 2023, com todos os quatro episódios disponíveis de uma só vez.

A direção ficou a cargo do casal criativo Lisa Barros D'Sa e Glenn Leyburn, conhecidos pelos filmes Ordinary Love e Good Vibrations. A produção é fruto de uma parceria entre os estúdios Gaumont Film Company e Moonage Productions.


A trama: o velho desejo proibido

A história segue William Farrow (Richard Armitage), um cirurgião renomado em Londres, com carreira brilhante, família aparentemente exemplar e perspectiva de uma carreira política. Tudo muda quando ele conhece Anna Barton (Charlie Murphy), a noiva de seu filho mais velho, Jay (Rish Shah).

A atração é imediata — e inevitavelmente proibida. O que começa como um olhar carregado num jantar evolui para um caso extraconjugal que ameaça destruir reputação, família e vida dos dois. Completando o quadro, Indira Varma interpreta Ingrid, a esposa de William, e Pippa Bennett-Warner aparece como Peggy.

É material rico em conflito moral: a traição do pai com a noiva do filho carrega um peso emocional genuíno. A pena é que o roteiro trata esse potencial como se fosse um obstáculo a ser pulado o mais rápido possível.


O que funciona (e o que não funciona)

A favor: elenco, estética e brevidade

Richard Armitage chegou à série com currículo sólido — O Hobbit, Norte & Sul, Capital. Charlie Murphy vem de Peaky Blinders e Happy Valley. Indira Varma é veterana de Game of Thrones e Obi-Wan Kenobi. Em tese, a combinação deveria funcionar.

E em alguns momentos funciona. A fotografia londrina tem elegância, os interiores são cuidados, e a direção da dupla Barros D'Sa/Leyburn mantém uma estética enxuta e intimista. Há até uma cena no episódio final onde Indira Varma finalmente tem espaço para brilhar — e brilha de verdade.

Outro ponto a favor: com apenas quatro episódios de aproximadamente 30 minutos cada, a série dificilmente vai roubar seu fim de semana. Para quem tem curiosidade e pouco tempo, isso é relevante.

Contra: roteiro que corre para lugar nenhum

O problema central é estrutural. Para construir uma obsessão crível, o roteiro precisaria investir tempo no desenvolvimento da atração entre William e Anna. O que temos, em vez disso, é um caso que explode em menos de um episódio, disparado por uma cena já notória pela sua estranheza — envolvendo uma azeitona numa festa de jantar.

A partir daí, a série entra em modo mecânico: ciúmes, encontros furtivos, deslocamentos repentinos, tensão familiar artificial. Os personagens fazem coisas porque o roteiro precisa que elas aconteçam, não porque seus estados emocionais as justificam.

Anna, em particular, é um problema de escrita. Misteriosa por decreto, sem profundidade psicológica real, ela existe mais como catalisador do caos do que como personagem com motivações compreensíveis. Charlie Murphy faz o que pode com o material, mas o material não ajuda.

As cenas íntimas, que seriam o principal diferencial de uma série que se vende como "erótica", são filmadas com certa elegância mas carecem de tensão real. Sem construção emocional prévia, elas se tornam sequências genéricas.


O legado literário (e fílmico) que pesa

Desejo Obsessivo carrega o peso de ser a segunda adaptação audiovisual do romance de Josephine Hart. A primeira foi o filme homônimo de 1992, estrelado por Jeremy Irons e Juliette Binoche, dirigido por Louis Malle — um drama de reconhecida qualidade crítica.

Comparar as duas versões é um exercício cruel, mas inevitável. O filme de 1992 constrói a obsessão de forma lenta e sufocante, deixando o espectador desconfortável de um jeito que faz sentido. A versão da Netflix, comprimida em quatro episódios, pula etapas demais para gerar esse mesmo efeito.

É uma pena, porque o material original tem profundidade. A questão de até onde o desejo pode destruir aquilo que mais se ama é um tema universal e poderoso. A série toca nele sem nunca se aprofundar de verdade.


Recepção da crítica e do público

Os números contam uma história clara. No IMDb, a série registra nota 5.2. No Rotten Tomatoes, a aprovação dos críticos profissionais ficou em apenas 25%, com o público em 29% — um consenso raro no sentido negativo.

Curiosamente, as redes sociais brasileiras reagiram de forma bem diferente: a série viralizou no Twitter no dia da estreia, com milhares de comentários chocados e, ao mesmo tempo, admissões de que a maratona completa aconteceu em uma única noite. O fenômeno de "hate-watching" (assistir para reclamar) foi real.

Esse contraste diz algo sobre o produto: Desejo Obsessivo é eminentemente maratonável — não necessariamente porque é bom, mas porque é curto, provocativo e fácil de consumir. O entretenimento imediato está lá. A experiência duradoura, não.


Vale a pena assistir?

Para cinéfilos exigentes: provavelmente não. O roteiro frustrado e a construção emocional rasa vão incomodar mais do que entreter.

Para quem quer maratonar algo curto e picante num domingo à noite: talvez sim, com expectativas calibradas. São menos de três horas de duração total. Indira Varma rouba a cena quando aparece, e a estética londrina é agradável.

Para quem quer o melhor do thriller erótico britânico: assista ao Damage de 1992 antes. Depois volte aqui e compare.


Nota Pipoca Crítica: 4/10

Desejo Obsessivo desperdiça um elenco competente e uma premissa de peso com um roteiro que confunde velocidade com intensidade. A obsessão do título nunca se instala de verdade — nem na tela, nem no espectador.


Perguntas frequentes (FAQ)

Desejo Obsessivo vale a pena assistir?

Depende da expectativa. Como thriller psicológico, decepciona pelo roteiro subdesenvolvido. Como curiosidade maratonável — são apenas quatro episódios de meia hora cada —, pode funcionar num momento de entretenimento sem pretensão.

Onde assistir Desejo Obsessivo?

A minissérie está disponível integralmente na Netflix, com dublagem e legendas em português do Brasil.

Desejo Obsessivo é baseado em livro?

Sim. A série é adaptação do romance Damage (1991), da escritora irlandesa Josephine Hart. O mesmo livro já havia sido adaptado para o cinema em 1992, com Jeremy Irons e Juliette Binoche, dirigido por Louis Malle.

Tags:#Netflix#Thriller#Drama#Minissérie#Série Britânica#Richard Armitage#Review

Continue lendo

Outras leituras

Desejo Obsessivo Netflix: crítica honesta… — Pipoca Crítica