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Paper Tiger: Driver e Johansson brilham em Gray

Paper Tiger, o novo crime drama de James Gray, estreou ontem em Cannes com ovação de pé e concorre à Palme d'Or. Veja nossa análise completa.

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Daniel Krust
··6 min de leitura
Adam Driver e Scarlett Johansson em cena de Paper Tiger, crime drama de James Gray ambientado no Queens dos anos 1980

Paper Tiger: James Gray entrega seu melhor filme — e a crítica mundial percebeu

Ontem à noite, no Grand Théâtre Lumière em Cannes, aconteceu algo raro: o público ficou de pé por minutos aplaudindo um thriller criminal americano filmado em película, ambientado no Queens dos anos 1980, sem nenhum efeito especial. Só atores, roteiro e direção de primeira grandeza. Paper Tiger estreou no Festival de Cannes no dia 16 de maio de 2026, com James Gray recebendo uma das maiores recepções da história recente do evento.

O resultado? Para muitos críticos, este é o nono e possivelmente melhor filme de James Gray. Uma afirmação pesada — e completamente justificada.


O que é Paper Tiger?

Paper Tiger é um crime drama escrito e dirigido por James Gray, estrelado por Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller. O filme se passa em 1986, no Queens.

A história acompanha Hester e Irwin — vividos por Johansson e Teller —, um casal criando a família no Queens dos anos 1980, quando o irmão mais velho e extrovertido de Irwin, Gary (Adam Driver), os convence a embarcar num empreendimento financeiro que os coloca na mira da máfia russa.

A sinopse parece direta. Mas Paper Tiger é muito mais do que um thriller de gangster. Classificá-lo apenas como thriller seria encaixá-lo numa caixa que não consegue conter seus contornos complexos — no fundo, é um filme sobre uma família que não sabe o quanto é feliz até deixar de ser.


Uma obra profundamente pessoal

O roteirista e diretor revisita, de forma semi-fictícia, a própria infância no Queens dos anos 1980, desta vez narrando um aterrador encontro com a máfia russa.

Embora chamá-lo de sequência seja redutor, o filme é uma obra gêmea de Armageddon Time (2022), novamente enraizada na infância do diretor — mas mais próxima, tanto temática quanto tonalmente, do seu tenso filme de estreia de 1994, Little Odessa.

Essa circularidade não é acidente. Quanto mais autoconscientes ficam seus filmes, mais amplamente eles falam sobre a agonia suave e imortal que impulsiona seus personagens. Gray está processando memória viva — e isso se sente em cada quadro.


Elenco: três atuações para a história

Adam Driver carrega o filme com uma performance de extremos. Gary se comporta como um insider esperto, usando ternos e exalando uma postura de quem conhece todo mundo — mesmo estando no meio de um divórcio bagunçado e podendo não ser o grande manda-chuva que finge ser. Para Gary, tudo é gesto exagerado. Ele balança os longos membros livremente só porque eles estão lá. Foi abençoado — é o cara que consegue fazer qualquer coisa. Quando percebe que não consegue, o desespero derretendo em seus olhos é quase insuportável.

Miles Teller entrega a contraparte perfeita. Irwin é um homem de família cauteloso e quieto, que percebe o quanto seus filhos impressionáveis idolatram o tio mais chamativo. Teller joga com beleza o papel do pai comum, um homem de família arrastado para eventos além do seu controle.

E Scarlett Johansson? Johansson nunca esteve tão boa quanto aqui, como uma mãe e esposa do Queens que está internamente se despedaçando, mas esconde tudo da família. Ela é soberba. Uma breve cena em que imagina um futuro inimaginável para sua família é tão compacta e potente que se torna uma âncora silenciosa para o filme.

Vale lembrar: a escalação reúne Johansson e Driver depois de Marriage Story (2019), pelo qual ambos receberam indicações ao Oscar. A química entre os dois — agora em personagens que se amam e se temem ao mesmo tempo — é devastadora.


Direção e técnica: de volta ao cinema como ele era feito

Gray colabora com o diretor de fotografia Joaquin Baca-Asay, que assinou We Own the Night e Two Lovers ao lado do cineasta, privilegiando personagens e atmosfera em vez de reviravoltas de roteiro.

O detalhe técnico mais significativo: Gray e Baca-Asay filmaram Paper Tiger em película — o resultado tem uma aparência suavemente gasta, de algo vivido. Numa era de digital hiperpolido, a escolha é uma declaração estética e política ao mesmo tempo.

Em alguns momentos, o filme é dilacerante em sua tensão, como se Gray tivesse descoberto um dom que não sabia ter, tocando os nervos do público da forma como se afina delicadamente as cravelhas de um violino.

A música é de Christopher Spelman, a montagem de Scott Morris — e o resultado final tem 1 hora e 55 minutos de duração, classificado como R.


O sonho americano em cacos

Paper Tiger não é um thriller de ação. Gray tem uma visão sombria do Sonho Americano, e, se alguns contornos do roteiro são familiares, a intensidade silenciosa e a crescente tensão entre os irmãos tornam o filme uma experiência hipnótica.

A citação de abertura vem de Ésquilo: "Que haja riqueza sem lágrimas; suficiente para o sábio que não pedirá mais." A magnitude trágica é adequada, ecoando as correntes de traição, medo e morte que percorrem o filme como riachos de sangue.

Gray não precisa de tiros a cada cena para criar tensão. Ele cria ansiedade com um olhar, com uma ligação telefônica não respondida, com um carro que fica parado tempo demais na rua. O horror aqui é quase sempre doméstico — e por isso machuca mais.


Cannes 2026 e o que vem a seguir

Paper Tiger estreou na competição principal do Festival de Cannes 2026 no dia 16 de maio, concorrendo à Palme d'Or. Com esta estreia, Gray se torna presença constante na Croisette — Paper Tiger é seu sexto filme a premiar no festival, seguindo Armageddon Time, The Immigrant, Two Lovers, We Own the Night e The Yards.

Johansson não pôde comparecer à estreia: a atriz estava ocupada filmando o reboot de O Exorcista. Mas seus co-astros Miles Teller e Adam Driver, que vivem os irmãos que enfrentam a máfia russa no trágico thriller criminal, flanquearam um Gray eufórico no palco.

Quanto ao lançamento nas telonas: Paper Tiger estreou na competição do Festival de Cannes 2026, e a Neon vai lançá-lo nos cinemas americanos ainda este ano. Uma data provisória de 26 de novembro de 2026 circula em agregadores, mas ainda sem confirmação oficial. O lançamento brasileiro ainda não tem data definida.


Nota Pipoca Crítica: 9/10

Paper Tiger é o tipo de filme que a crítica aguarda durante anos: denso, pessoal, magnificamente interpretado e tecnicamente impecável. James Gray voltou ao seu território — o Queens, a família, o sonho que vira pesadelo — e desta vez chegou à obra-prima. Driver está no melhor momento da carreira. Johansson entrega a atuação mais contida e poderosa que já vi dela. E Teller prova, de novo, que é um dos melhores atores de sua geração quando o material é à altura.

Veja assim que chegar aos cinemas. Sem hesitar.


Perguntas frequentes (FAQ)

Paper Tiger vale a pena?

Sim, com entusiasmo. O filme reúne um dos melhores diretores americanos em trabalho, um trio de atores no topo da forma e uma fotografia filmada em película que é rara nos dias de hoje. A crítica internacional foi unanimemente positiva após a estreia em Cannes.

Onde assistir Paper Tiger?

Por enquanto, Paper Tiger está em circuito de festival. A distribuidora Neon tem os direitos para a América do Norte e deve lançar o filme nos cinemas americanos ainda em 2026. O lançamento no Brasil e eventual chegada ao streaming ainda não têm data confirmada.

Paper Tiger é de verdade ou é ficção?

É uma ficção com forte base autobiográfica. James Gray já explorou a própria infância no Queens em Armageddon Time (2022). Paper Tiger é uma "peça gêmea" dessa obra — os personagens Hester e Irwin são versões ficcionalizadas dos pais do diretor, desta vez envolvidos num esquema criminoso com a máfia russa nos anos 1980.

Tags:#Paper Tiger#James Gray#Adam Driver#Scarlett Johansson#Cannes 2026#crime drama#Neon

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