Woken: review do horror apocalíptico com amnésica
Anna acorda grávida, sem memória, numa ilha isolada — e logo descobre que o mundo fora dali já acabou. Woken vale a pena? Leia nossa crítica completa.

Woken: review do horror apocalíptico com amnésica na zona da peste
Uma mulher acorda grávida, sem memória e rodeada de rostos que diz não conhecer. Lá fora, no continente, a humanidade está quase extinta. Woken aposta num conceito poderoso — e entrega um thriller tenso, mas irregular.
O que é Woken?
Woken é uma coprodução irlandesa-italiana de ficção científica e terror dirigida por Alan Friel em seu debut como diretor de longa-metragem. O filme estrela Erin Kellyman como Anna, uma mulher grávida que desperta numa ilha remota com amnésia total após um acidente. À medida que tenta reconstruir sua identidade, ela descobre que o mundo foi devastado por um vírus letal que trouxe a humanidade à beira da extinção.
Friel, cineasta irlandês de gênero, co-escreveu o roteiro ao lado de Rebecca Pollock. A produção envolveu a irlandesa Fantastic Films e a italiana Propaganda Italia, com distribuição nos EUA pela Dark Sky Films, que lançou o filme em circuito limitado de salas e VOD a partir de 18 de julho de 2025.
A premissa: Memento encontra o apocalipse
Anna desperta após uma queda, grávida, e acorda numa casa com curativo na cabeça. É informada de que está numa ilha habitada por apenas quatro pessoas: ela mesma, seu marido e um casal de vizinhos.
A história se desdobra em fragmentos, como uma versão distópica de Memento. O que começa como um simples caso de identidade esquecida se transforma numa exploração apocalíptica do fim dos dias.
O gancho é genuinamente eficaz. A desorientação de Anna é a nossa desorientação — e Friel usa isso bem nos dois primeiros atos, construindo paranoia em camadas. Conversas sussurradas que Anna ouve por acaso, um vislumbre de armas de fogo e a crescente convicção de que ela jamais poderá deixar a ilha alimentam essa paranoia.
O vírus entra em cena — e tudo muda
Num dos momentos mais perturbadores do filme, um barco encalha na ilha e dois sobreviventes desembarcam horrivelmente deformados na cabeça. Eles são mortos, e Anna é informada de que a aproximação a expôs ao contágio. Fica claro então que uma doença dizimou quase toda a população do planeta, e a ilha é um dos poucos refúgios que restaram.
Esse vírus que assola a humanidade é combustível puro para o pesadelo, mas é apenas parte da história. O que torna tudo mais aterrador é o fato de que seu marido e os cuidadores esconderam essa informação dela. A descoberta da pandemia por Anna é horrível.
Máscaras de gás e trajes hazmat viram norma depois que os dois náufragos chegam à ilha. Mesmo com algum exagero estilístico, esses elementos são notoriamente impactantes dado nosso mundo pós-pandemia.
Elenco: Kellyman carrega o peso
Erin Kellyman vive Anna com convicção. O elenco de apoio inclui Maxine Peake como Helen, Ivanno Jeremiah como James e Corrado Invernizzi como Luca, além de Peter McDonald e Oscar Coleman.
As performances em geral são sólidas, com destaque para a protagonista Erin Kellyman. Maxine Peake, veterana do cinema e televisão britânicos, confere peso e ambiguidade à personagem Helen — uma presença que oscila entre o acolhimento e algo que nunca se revela completamente inocente.
Os bons desempenhos das duas protagonistas femininas são um dos pontos de consenso entre críticos e espectadores, mesmo entre os que acharam o ritmo lento demais.
Direção e fotografia: o melhor do filme
Woken é o debut de longa-metragem de Alan Friel, que supervisionou pessoalmente o tom de thriller psicológico e a visão pós-apocalíptica centrada em isolamento e perda de memória.
Richard Kendrick assina a fotografia, capturando o cenário de ilha remota com foco em tensão atmosférica e iluminação natural. As paisagens costeiras irlandesas, o mistério de ritmo lento e os visuais únicos dos infectados estão entre os ingredientes mais elogiados do projeto.
A cinematografia da paisagem costeira irlandesa — cinzenta, úmida e desolada — é um dos elementos mais funcionais do filme. Friel usa o isolamento geográfico como extensão do isolamento psicológico da protagonista, e isso funciona enquanto a câmera tem espaço para respirar.
Onde Woken tropeça
O problema central de Woken está no roteiro, especialmente no terceiro ato. Quanto mais o espectador descobre o que aconteceu, menos persuasivo o filme se torna. Friel tenta compensar investindo nas histórias de Anna e Helen, mas não é suficiente para equilibrar os clichês do ato final, dominado por cientistas equivocados, militares sem rosto e uma batalha pela sobrevivência.
O filme não é exatamente horror, e também não oferece ficção científica nova nem uma payoff satisfatória para o slow burn — o que torna difícil recomendá-lo sem ressalvas.
Se tivesse se aprofundado mais nos elementos de horror e sci-fi que esboça brevemente, em vez de priorizar o drama, o resultado seria mais contundente.
Onde assistir
Woken está disponível para streaming no Amazon Prime Video. Também é possível alugar ou comprar o filme na Apple TV Store e em outras plataformas digitais.
Veredicto final — nota 6/10
Woken é aquele tipo de filme que você termina com uma sensação mista: a premissa era promissora, a atriz principal fez o que precisava ser feito, e tem cenas que realmente incomodam da forma certa. Mas a escrita enfraquece justamente quando deveria endurecer, e o desfecho chega com pressa demais depois de três quartos de filme deliberadamente lento.
Uma história envolvente e imersiva no seu melhor, Woken é um thriller que arrepia e perturba em medidas iguais — ainda que não de forma consistente. Para quem curte slow burn de horror com sabor de isolamento e fim do mundo, vale uma sessão consciente das limitações. Para quem busca horror puro e respostas satisfatórias, a decepção pode ser inevitável.
Nota: 6/10
Perguntas frequentes (FAQ)
Woken vale a pena assistir?
Depende do gosto. Se você curte thrillers lentos com atmosfera de isolamento e terror psicológico, Woken tem momentos genuinamente tensos e uma protagonista forte em Erin Kellyman. Se espera horror intenso ou resolução satisfatória, o terceiro ato pode decepcionar.
Onde assistir Woken no Brasil?
Woken está disponível no Amazon Prime Video. Também pode ser alugado ou comprado em plataformas digitais como a Apple TV Store.
Quem dirigiu Woken e quem está no elenco?
Woken foi dirigido por Alan Friel, com elenco principal formado por Erin Kellyman, Maxine Peake, Ivanno Jeremiah e Corrado Invernizzi.
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