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Woken: review do horror apocalíptico com amnésica

Anna acorda grávida, sem memória, numa ilha isolada — e logo descobre que o mundo fora dali já acabou. Woken vale a pena? Leia nossa crítica completa.

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Daniel Krust
··5 min de leitura
Erin Kellyman como Anna em penhasco irlandês com névoa e figuras com máscara de gás ao fundo — thriller apocalíptico Woken

Woken: review do horror apocalíptico com amnésica na zona da peste

Uma mulher acorda grávida, sem memória e rodeada de rostos que diz não conhecer. Lá fora, no continente, a humanidade está quase extinta. Woken aposta num conceito poderoso — e entrega um thriller tenso, mas irregular.


O que é Woken?

Woken é uma coprodução irlandesa-italiana de ficção científica e terror dirigida por Alan Friel em seu debut como diretor de longa-metragem. O filme estrela Erin Kellyman como Anna, uma mulher grávida que desperta numa ilha remota com amnésia total após um acidente. À medida que tenta reconstruir sua identidade, ela descobre que o mundo foi devastado por um vírus letal que trouxe a humanidade à beira da extinção.

Friel, cineasta irlandês de gênero, co-escreveu o roteiro ao lado de Rebecca Pollock. A produção envolveu a irlandesa Fantastic Films e a italiana Propaganda Italia, com distribuição nos EUA pela Dark Sky Films, que lançou o filme em circuito limitado de salas e VOD a partir de 18 de julho de 2025.


A premissa: Memento encontra o apocalipse

Anna desperta após uma queda, grávida, e acorda numa casa com curativo na cabeça. É informada de que está numa ilha habitada por apenas quatro pessoas: ela mesma, seu marido e um casal de vizinhos.

A história se desdobra em fragmentos, como uma versão distópica de Memento. O que começa como um simples caso de identidade esquecida se transforma numa exploração apocalíptica do fim dos dias.

O gancho é genuinamente eficaz. A desorientação de Anna é a nossa desorientação — e Friel usa isso bem nos dois primeiros atos, construindo paranoia em camadas. Conversas sussurradas que Anna ouve por acaso, um vislumbre de armas de fogo e a crescente convicção de que ela jamais poderá deixar a ilha alimentam essa paranoia.


O vírus entra em cena — e tudo muda

Num dos momentos mais perturbadores do filme, um barco encalha na ilha e dois sobreviventes desembarcam horrivelmente deformados na cabeça. Eles são mortos, e Anna é informada de que a aproximação a expôs ao contágio. Fica claro então que uma doença dizimou quase toda a população do planeta, e a ilha é um dos poucos refúgios que restaram.

Esse vírus que assola a humanidade é combustível puro para o pesadelo, mas é apenas parte da história. O que torna tudo mais aterrador é o fato de que seu marido e os cuidadores esconderam essa informação dela. A descoberta da pandemia por Anna é horrível.

Máscaras de gás e trajes hazmat viram norma depois que os dois náufragos chegam à ilha. Mesmo com algum exagero estilístico, esses elementos são notoriamente impactantes dado nosso mundo pós-pandemia.


Elenco: Kellyman carrega o peso

Erin Kellyman vive Anna com convicção. O elenco de apoio inclui Maxine Peake como Helen, Ivanno Jeremiah como James e Corrado Invernizzi como Luca, além de Peter McDonald e Oscar Coleman.

As performances em geral são sólidas, com destaque para a protagonista Erin Kellyman. Maxine Peake, veterana do cinema e televisão britânicos, confere peso e ambiguidade à personagem Helen — uma presença que oscila entre o acolhimento e algo que nunca se revela completamente inocente.

Os bons desempenhos das duas protagonistas femininas são um dos pontos de consenso entre críticos e espectadores, mesmo entre os que acharam o ritmo lento demais.


Direção e fotografia: o melhor do filme

Woken é o debut de longa-metragem de Alan Friel, que supervisionou pessoalmente o tom de thriller psicológico e a visão pós-apocalíptica centrada em isolamento e perda de memória.

Richard Kendrick assina a fotografia, capturando o cenário de ilha remota com foco em tensão atmosférica e iluminação natural. As paisagens costeiras irlandesas, o mistério de ritmo lento e os visuais únicos dos infectados estão entre os ingredientes mais elogiados do projeto.

A cinematografia da paisagem costeira irlandesa — cinzenta, úmida e desolada — é um dos elementos mais funcionais do filme. Friel usa o isolamento geográfico como extensão do isolamento psicológico da protagonista, e isso funciona enquanto a câmera tem espaço para respirar.


Onde Woken tropeça

O problema central de Woken está no roteiro, especialmente no terceiro ato. Quanto mais o espectador descobre o que aconteceu, menos persuasivo o filme se torna. Friel tenta compensar investindo nas histórias de Anna e Helen, mas não é suficiente para equilibrar os clichês do ato final, dominado por cientistas equivocados, militares sem rosto e uma batalha pela sobrevivência.

O filme não é exatamente horror, e também não oferece ficção científica nova nem uma payoff satisfatória para o slow burn — o que torna difícil recomendá-lo sem ressalvas.

Se tivesse se aprofundado mais nos elementos de horror e sci-fi que esboça brevemente, em vez de priorizar o drama, o resultado seria mais contundente.


Onde assistir

Woken está disponível para streaming no Amazon Prime Video. Também é possível alugar ou comprar o filme na Apple TV Store e em outras plataformas digitais.


Veredicto final — nota 6/10

Woken é aquele tipo de filme que você termina com uma sensação mista: a premissa era promissora, a atriz principal fez o que precisava ser feito, e tem cenas que realmente incomodam da forma certa. Mas a escrita enfraquece justamente quando deveria endurecer, e o desfecho chega com pressa demais depois de três quartos de filme deliberadamente lento.

Uma história envolvente e imersiva no seu melhor, Woken é um thriller que arrepia e perturba em medidas iguais — ainda que não de forma consistente. Para quem curte slow burn de horror com sabor de isolamento e fim do mundo, vale uma sessão consciente das limitações. Para quem busca horror puro e respostas satisfatórias, a decepção pode ser inevitável.

Nota: 6/10


Perguntas frequentes (FAQ)

Woken vale a pena assistir?

Depende do gosto. Se você curte thrillers lentos com atmosfera de isolamento e terror psicológico, Woken tem momentos genuinamente tensos e uma protagonista forte em Erin Kellyman. Se espera horror intenso ou resolução satisfatória, o terceiro ato pode decepcionar.

Onde assistir Woken no Brasil?

Woken está disponível no Amazon Prime Video. Também pode ser alugado ou comprado em plataformas digitais como a Apple TV Store.

Quem dirigiu Woken e quem está no elenco?

Woken foi dirigido por Alan Friel, com elenco principal formado por Erin Kellyman, Maxine Peake, Ivanno Jeremiah e Corrado Invernizzi.

Tags:#Horror#Sci-Fi#Thriller#Pós-Apocalíptico#Erin Kellyman#Alan Friel#Prime Video#Filmes Independentes

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