Pipoca Crítica

Pipoca Crítica

🎁

Esporte ao vivo, filmes e séries num app só · teste grátis no zap · sem cadastro

💬 Testar agora →

Paolla Oliveira em Xangai: os filmes brasileiros no SIFF 2026

Paolla Oliveira viajou à China para o Festival de Cinema de Xangai 2026, levando dois filmes brasileiros. Entenda o que está em jogo — e o que vale a pena assistir.

D
Daniel Krust
··7 min de leitura
Paolla Oliveira no Festival Internacional de Cinema de Xangai 2026, representando o cinema brasileiro na China

Paolla Oliveira em Xangai: os filmes brasileiros que ela levou para a China — e o que você precisa saber sobre eles

Trinta e uma horas de voo, escala em Guangzhou e uma agenda que mistura fábrica de automóveis com tapete vermelho. Paolla Oliveira fez tudo isso para chegar ao 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai (SIFF) — e não foi de turismo.

A atriz representou duas produções brasileiras no evento: o drama sobrenatural "Herança de Narcisa", em que é a protagonista, e a animação "Amadeo e o Hipotético Mundo Novo", para a qual emprestou a voz. O contexto por trás da viagem é maior do que parece: o Brasil chegou ao SIFF 2026 com um recorde histórico de filmes e uma mostra dedicada exclusivamente ao audiovisual nacional.


O festival: por que Xangai importa tanto

O 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai (SIFF) ocorreu de 12 a 21 de junho. A mostra existe desde 1993 e é o único festival de filmes chineses classificado como tipo A pela FIAPF — a mesma categoria de Cannes, Veneza e Berlim.

O evento apresentou mais de 2 mil filmes de mais de 100 países. As vendas de ingressos foram recordes: cerca de 250 mil bilhetes vendidos em apenas 15 minutos quando as vendas abriram.

Para o Brasil, a edição de 2026 foi especialmente simbólica. O festival exibiu 9 filmes brasileiros — um recorde de exibições nacionais no principal festival de cinema da China. A iniciativa integrou as atividades do Ano Cultural Brasil-China 2026, uma colaboração entre os governos dos dois países com o objetivo de promover o intercâmbio cultural.

A programação brasileira foi lançada no Fotografiska Xangai, durante a abertura da Mostra Focus Brazil. A delegação brasileira reuniu cerca de 44 representantes oficiais do setor audiovisual, incluindo produtoras, distribuidoras e agentes de comercialização internacional.


"Herança de Narcisa": o terror psicológico que Paolla protagoniza

Herança de Narcisa é um filme dirigido por Clarissa Appelt e Daniel Dias, com Paolla Oliveira e Rosamaria Murtinho. A estreia nos cinemas brasileiros foi em 14 de maio de 2026. A produção chega aos cinemas com nova data confirmada: 9 de julho.

A trama

O filme acompanha o retorno de Ana à casa onde passou a infância. O antigo lar — um casarão no bairro do Cosme Velho, no Rio — é a única herança deixada por sua recém-falecida mãe, a vaidosa e instável ex-vedete Narcisa. Decidida a vender a casa, Ana começa a revistá-la ao lado do irmão Diego, que destrava o camarim da mãe, onde os segredos de sua morte estão guardados.

Após o irmão ir embora, Ana passa a ser assombrada por uma maldição ancestral e pelo espírito da mãe. Para sobreviver ao mal que a ronda, ela precisará confrontar as mágoas e as memórias de uma relação tóxica mal resolvida.

Ficha técnica verificada

  • Direção e roteiro: Clarissa Appelt e Daniel Dias
  • Elenco: Paolla Oliveira, Rosamaria Murtinho, Pedro Henrique Müller, Elvira Helena
  • Fotografia: Zhai Sichen
  • Duração: 88 minutos
  • Classificação indicativa: 14 anos
  • Produção: Camisa Preta Filmes, com coprodução de Urca Filmes e Telecine. Distribuição: Olhar Filmes

Análise

O que chama a atenção em Herança de Narcisa é o quanto a proposta foge do terror de possessão genérico. Os diretores deixaram claro: "não falamos sobre a possessão pelo mal ou pelo diabo, mas sobre a possessão pelas questões não resolvidas do relacionamento entre mãe e filha." Essa âncora emocional eleva o roteiro acima do susto fácil.

Paolla Oliveira entrega uma performance contida e carregada — a personagem Ana não grita, ela implode. A fotografia de Zhai Sichen aproveita bem o peso arquitetônico do casarão carioca, com uma paleta sombria que reforça o clima de sufocamento. O problema está na segunda metade: o filme perde ritmo quando decide explicar demais o que deveria apenas sugerir. Os diretores têm pós-graduação em roteiro nos EUA com bolsa Fulbright/Capes — e Daniel Dias é roteirista de "Nosso Sonho" (2023), a maior bilheteria brasileira daquele ano, o que reforça o cuidado técnico na estrutura narrativa, mesmo quando ela tropeça.

Nota Pipoca Crítica: 7/10. Terror que respeita a inteligência do espectador, mas perde o fôlego perto do final.


"Amadeo e o Hipotético Mundo Novo": a animação que veio do Agreste para a China

Se Herança de Narcisa é o longa de estrela, Amadeo é a surpresa da viagem — e talvez a mais potente das duas.

O longa-metragem de animação Amadeo e o Hipotético Mundo Novo, dirigido por Brenda Lígia e Edu Felistoque, foi exibido no dia 15 de junho na mostra competitiva do 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai. A animação teve sua estreia mundial no festival com a presença da diretora Brenda Lígia e do diretor de arte e animação Everton Amorim.

A trama

A animação é uma releitura do Brasil do século 19 em forma de ficção. No enredo, a fotografia foi inventada antes dos europeus pelo jovem africano Amadeo — e ele usa essa criação para ajudar pessoas negras escravizadas a conquistar a liberdade em 1830. Ao mesmo tempo, Amadeo vive um romance com a filha de um homem influente.

Ficha técnica verificada

  • Direção: Brenda Lígia e Edu Felistoque
  • Direção de arte e animação: Everton Amorim
  • Elenco de vozes: Brenda Lígia (Zuza), Sérgio Menezes, Paolla Oliveira, Antonio Fagundes, Mateus Solano, Naruna Costa, Edmilson Filho, Tiago Abravanel, Adriana Lessa e Igor Cotrim
  • Produção: coprodução da SAGUI Studio e Refúgio Onírico, de Caruaru (PE)
  • Estreia no Brasil: ainda sem data oficial de estreia nos cinemas brasileiros

Análise

Amadeo mistura ficção histórica, drama e elementos de afrofuturismo para reconstruir simbolicamente a história brasileira sob outra perspectiva. O projeto tem uma audácia rara no cinema de animação nacional: coloca um protagonista negro no centro de uma narrativa de invenção tecnológica e resistência, reescrevendo os apagamentos da história oficial.

Produzida diretamente do Agreste Pernambucano, a obra chega ao circuito internacional com força total. O projeto contou com patrocínio do BNDES e apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, viabilizado pela Lei Paulo Gustavo e pelo Ministério da Cultura.

A produção visual impressiona pela coerência estética: traços que dialogam com a cultura popular nordestina sem cair no folclore decorativo. O roteiro tem ambição — talvez ambição demais para o tempo de tela — mas o coração do filme bate forte em cada cena de Amadeo empunhando sua câmera como arma de libertação.

Nota Pipoca Crítica: 8/10. Animação ousada, política e visualmente marcante. Uma das obras brasileiras mais importantes do ano.


Brasil em Xangai: o quadro completo

Entre os filmes brasileiros selecionados estão "O Deserto de Luiza", "Amadeo e o Hipotético Mundo Novo", "Herança de Narcisa", "Para Vigo Me Voy!", "A Fabulosa Máquina do Tempo", "Coração das Trevas", "Papaya", "Feito Pipa" e "A Hora da Estrela".

Dos filmes brasileiros, apenas um está na seleção que concorre ao "Cálice de Ouro", principal premiação do festival: a coprodução brasileira e britânica "O Deserto de Luiza", dirigida pelo cineasta Alan Minas. Já a animação Amadeo e o Hipotético Mundo Novo está entre os indicados para concorrer na categoria de melhor animação, junto com outros 4 filmes.

A realização da Mostra de Cinema Brasileiro na China coincidiu com a comemoração do Dia do Cinema Brasileiro, em 19 de junho. Uma coincidência simbólica que o cinema nacional soube aproveitar bem.

A passagem de Paolla Oliveira por Xangai não foi apenas divulgação de elenco — ela sinalizou que o cinema brasileiro está levando a sério a disputa por novos mercados. E, a julgar pela qualidade dos dois filmes que ela ajudou a apresentar ao público asiático, havia razão para embarcar naquele voo de 31 horas.


Perguntas frequentes

quando "Herança de Narcisa" estreia nos cinemas brasileiros?

A Olhar Filmes anunciou a data de estreia de Herança de Narcisa para 9 de julho de 2026 nos cinemas brasileiros.

qual a classificação indicativa de "Herança de Narcisa"?

A classificação indicativa oficial do filme é 14 anos.

"Amadeo e o Hipotético Mundo Novo" já tem data de estreia no Brasil?

Até o momento, Amadeo e o Hipotético Mundo Novo ainda não possui data oficial de estreia nos cinemas brasileiros. A expectativa da produção é ampliar primeiro sua trajetória internacional antes do lançamento nacional.

quem são os diretores de "Herança de Narcisa"?

O filme é dirigido por Clarissa Appelt e Daniel Dias. A dupla tem pós-graduação em roteiro nos EUA com bolsa Fulbright/Capes.

o Brasil ganhou algum prêmio no Festival de Xangai 2026?

O festival encerrou em 21 de junho de 2026. Os resultados do Cálice de Ouro e da categoria de melhor animação — para a qual Amadeo concorreu — ainda não foram divulgados até a publicação desta matéria. Acompanhe o Pipoca Crítica para a atualização assim que os vencedores forem anunciados.

Tags:#Paolla Oliveira#Festival de Xangai#Herança de Narcisa#Amadeo e o Hipotético Mundo Novo#cinema nacional#SIFF 2026#lançamentos 2026

Continue lendo

Outras leituras